domingo, 27 de janeiro de 2008

Mais lembranças.

Parece que o amiguinho do Chili-verde quer botar todas as lembranças da gente para fora. Agora falou dos tempos antigos de avião. Que bonitinho. As minhas lembranças são ainda mais antigas.
A primeira vez que a velhinha andou de avião a maioria de vocês nem tinha nascido. Eu era mocinha, devia ter uns dezessete aninhos. Fomos visitar uma prima da minha mãe que morava em Londres. O avião era um Savoia-Marchetti SM-95 com quatro hélices. Fazia um barulhão. A viagem demorou cinco horas, com duas escalas.

Naquele tempo as pessoas se arrumavam para viajar de avião. Os homens vestiam terno e gravata e as mulheres punham chapéus e luvas. O pessoal de bordo era muito atencioso e a alimentação era muito boa. Os bancos que eram meio durinhos e as costas doíam um pouco depois de algumas horas.

Mais tudo era novidade e a meninazinha adorou a viagem. Principalmente porque conheci lá o meu primeiro namoradinho. O nome dele era Paul e estava estudando engenharia. Com tempo eu conto mais para vocês.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Minhas lembranças.

Hoje lendo o blog de um amiguinho acabei ficando com muita melancolia. Não, não, não é daquelas melancolias tristezinhas, é daquelas bem boazinhas, mais uma saudade de tempos maravilhosos de minha infância na Itália.

Todos os anos meus pais levavam seus filhinhos para veranear em Bolsena, uma pacata cidadezinha às margens de um belíssimo lago de águas bem tranqüilas. Meu pai e meu irmãozinho mais velho iam de carro e eu, minha mãe, minhas duas irmãs e o caçulinha íamos de trem. A viagem como toda viagem de trem era sempre muito boa, quase deixávamos nossa mãezinha louca com as travessuras que fazíamos no vagão, era muito divertido.

Lá na cidadezinha, ficávamos em um hotelzinho muito simpático que ficava às margens do lago. Tomávamos todas as refeições no hotel, desde o café da manhã ao jantar, uma comidinha deliciosa, quase caseira. Quase todas as noites reuníamos com os demais hóspedes no salão principal e normalmente tinha uma pianista que, ou tocava lindas melodias ou nos acompanhava em nossas aventurazinhas para os lados do canto. Durante o dia brincávamos de todas as brincadeiras que a meninada dispunha naquela época. Eram dias maravilhosos, quase o verão todo. Era muito comum naquela época se refugiar do calor escaldante em algum lugar com temperatura mais amena.

Bons tempos, bons dias, muitas saudades.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Trabalhos manuais.

O amiguinho do Guris, eu vi! fez uma proposta para iluminar este dia cinzento. Convocou as pessoas a mostrarem belezas escondidas. Fiquei pensando se nestes meus anos todinhos de vida ainda tinha alguma coisa bonitinha, escondida, para revelar. Daí, lembrei de uns trabalhos manuais que eu fiz há muitos anos atrás.

No meu tempo a mulheres aprendiam vários tipos de trabalhos manuais. Nem sempre a gente conseguia ser boa em todos eles, mas pelo menos em um ou outro aparecia uma revelação. Algumas bordavam bem, outras tricotavam e havia aquelas que faziam crochê como ninguém. Eu mesma gostava mais de bordado em ponto cruz. Era uma distração. Passava horas e horas criando paninhos, toalhas que depois dava com muito amor para as amiguinhas. O que valia mais era repartir os trabalhos manuais.

Pena que hoje este tipo de trabalhinho não é mais valorizado. Às vezes, quem sabe fazer tem até vergonha de mostrar. No entanto não vou mostrar um trabalho meu, quero aproveitar a oportunidade e fazer uma homenagem. Por isso a minha beleza escondida é este bordado que ganhei de uma amiga muito querida e que já não esta mais entre nós.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Olha eu aqui, outra vez...

Antes que os amiguinhos pensem que a velhinha partiu deixa eu aparecer e escrever umas linhazinhas. Estou firme e forte que nem uma vaquinha leiteira. Fora um pequeno resfriado de verão, que deixa o nariz que nem de palhaço, está tudo bem.

Estava com saudade de vocês. Li os comentários e quero agradecer ao gauchinho e aos mineirinhos pelos votos de Feliz Ano Novo. Apesar de ser ano bissexto – isso que euzinha não sou esotérica – acho que o ano vai ser muito bonzinho. Se o ministro deixar.

Bom, depois eu conto como foi a minha passagem de ano.

PS: espero que este ano tenha mais santinhos nos blogs. Eles estão muito raros.


E se ninguém puser santinho eu mesma vou procurar.

Que nem o santo de hoje - Santo Antônio de Categeró.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz 2008.

Aos amiguinhos que estão no ar e aqueles que se ausentaram desejo um próspero e feliz Ano Novo. Mas devemos lembrar que o ano não será novo se a gente continuar com os mesmos erros, manias, desculpas esfarrapadas e desânimos do velho. E olha que de velho eu entendo.

Já passei muitos primeiros de janeiro, já fiz muitas simpatias, já tive muitas resoluções, já fiz muitos pedidos, já tive muitos desejos. Em todos os anos que passei desejei e vou continuar desejando nos próximos que virão - que a gente procure entender o próximo e estender sempre a mão.

Um Ano Novo cheio de fraternidade. É disso que precisamos.

Bom 2008, para vocês que já fazem parte do meu mundinho, e ocupam um lugarzinho especial no coração desta velhinha.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Eu fui namorada do Noel.

Antes que vocês pensem que a velhinha é muito mais idosa do que pensam, deixem explicar. Quando eu era mocinha tinha um moço muito bonitinho e que arrastava uma asa pro meu lado. O nome dele era Januário. Filho de italianos – nem precisava dizer, todos eram italianos ou filhos de na colônia em que eu fui criada – e tinha um vozeirão muito bonito.

Naquela época eu ajudava a minha tia Benedetta na cantina da nona e foi lá que eu conheci ele. Resumindo logo que a velhinha não tem muito tempo a perder, ele me pediu em namoro no dia de São Petrônio. Logo depois, no início de dezembro, arranjou um trabalho de Papai Noel para uma cadeia de lojas em Caxias. Cadeia de lojas é modo de dizer, eram duas lojas de um carcamano muito mão de vaca. Ele teve de trabalhar até na tarde do dia 24 de dezembro.

Passamos o Natal tomando sorvete na gelateria da Clélia, com ele vestido de Noel. Diferente do amiguinho do Guris, eu vi! eu era muito chegadinha no bom velhinho. Como disse a amiguinha Adriana, boas lembranças. Elas enchem o coração.


Um Feliz Natal, para todos os amiguinhos. E um Ano Novo, cheio de coisinhas boas!

domingo, 16 de dezembro de 2007

O tempo passa.

O amiguinho do Chile verde comentou outro dia sobre a minha amiga Amália e as receitinhas dos programas de televisão. Bela homenagem. Achei que a coitadinha já tava esquecida. Ele também falou da Rua da Praia e de outros fatos de Porto Alegre.

Não entendi nada, quando ele começou a dizer que era de Minas. Confundiu os pensamentos da velhinha. Mas deu uma saudade grande dos bons tempos da Rua da Praia. Onde a gente ia passear antes de uma sessão de cinema no Guarani ou no Imperial ou mesmo almoçar no Clube do Comércio. Tinha uma grande amiga minha que morava no Clube – a Gilda. Era jornalista, mais velha que eu. E fumava em público, um escândalo. Entre tantos outros que a Gildinha praticava.

E fazer compras na Cecília Louro, então. Que coisa boa. Me lembro da Regininha que era gerente. Quanta saia de tweed eu comprei lá. E as bolsas, então. Num tempo teve até sapato do Rui Chaves. Na época da liquidação a gente não conseguia entrar na loja. Eu, que era bem espertinha ligava pra Regininha e pedia pra separar uns Ban-lon do meu número.

Fique com os olhos cheinhos de lágrimas. Vou parar por aqui.